(Assistência de dramaturgia: Sílvia Correia)
Alletsator
libreto de ópera
sobre texto electrónico sintetizado em
computador
(Para actores, músicos e outros animais)
Porto 2001
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A dramaturgia deste espectáculo assentou
quase integralmente
em texto electrónico gerado por
computador
utilizando o Sintetizador Textual
Automático «SINTEXT-W»
(Ó
P. Barbosa & J.M.Torres - 2000).
Os textos generativos fixados
foram desenvolvidos a partir do livro
infinito
«O MOTOR TEXTUAL»
(Ó
A noção de generatividade que lhe subjaz
conecta-se ao conceito de
«intertextualidade»:
daí que alguns materiais gerados
incorporem
fragmentos de Herberto Helder, Robin
Shirley e Angel Carmona, nomeadamente,
como elementos lexicais e sintagmas
estruturantes mixados nos textos originais.
Uma versão anterior para a Web de
«O MOTOR TEXTUAL»
encontra-se também disponível na internet nos seguintes endereços:
http://cetic.ufp.pt/sintext.htm
http://directory.eliterature.org
Ficha técnica e artística:
«Alletsator» XPTO kOSMOS 2001 Produção: ESBOFETEATRO. Responsável de produção:
Sílvia Correia. Autoria e dramaturgia:
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No início do espectáculo far-se-á ouvir a seguinte
mensagem de acolhimento:
Indecifráveis amigos:
Sois os únicos
sobreviventes diante da loucura.
Os livros todos cantam em
coro a morte térmica do universo, tendes nuvens de electrões à volta do cabelo.
As cadeiras vão adormecer-vos o traseiro. Sois o retrato do espectador
pós-moderno que assiste parado à grande festa das imagens: envolto numa poalha
de sinais. Por favor, desliguem os vossos telemóveis, bips e relógios com
sinal sonoro. Não é permitido registar imagens, sons ou qualquer outro tipo de
informação desta viagem final. As notícias do milénio vão ficar para trás.
Preparem-se para a Grande Viagem: a nave XPTO levar-vos-á até um novo planeta.
Na Terra que deixais desfralda-se já o anúncio: “Planeta aluga-se!” Queiram
pois acomodar-se, prezados sobreviventes: isolem-se bem das coisas reais que gritam
lá fora. Arquivem estas palavras convexas. Abandonem-se ao universo dos sinais.
Tentem ser felizes... Até
já!
Kaos: o caos à entrada dos espectadores para a
nave-cósmica «XPTO».
Grande explosão inicial: começo ou fim do Mundo?
Terramoto. O Grande Portão de entrada cai com estrondo
metálico abrindo a sala-porão ao acesso do público foragido. Os espectadores
são varridos por uma tempestade de sons, luzes, sombras, chuvas e trovoadas.
Gera-se o pânico no claro-escuro. Forte ruído de ventos ciclónicos e águas
revoltas: helicópteros e aviões rasantes, sirenes de guerra, brigadas de
socorro, derrocada de prédios e colisão de veículos. Fogo de artifício, chuva
de morteiros. O público é imerso neste caos de sensações e refugia-se na nave-bunker
XPTO, orientado e conduzido por personagens animalescas de uma nova Arca de Noé
preparada para o Grande Salto Cósmico.
Animais, Animais,
Animais (com escafandro e vestes espaciais): vozes de animais.
A nave intergaláctica XPTO prepara-se para a sua
ascensão: tripulação e passageiros (espectadores) são os últimos sobreviventes
da tragédia planetária. A sua rota será o planeta ORUTUF ORP.
Faz-se silêncio súbito. O caos dá lugar ao cosmos: começa
a ouvir-se a "música das esferas" sobre a qual será entoado o Coro
dos Filhos do Espaço.
Entretanto, numa gigantesca projecção de raios-laser, a
palavra MIF vai rodando no espaço até se converter na palavra FIM.
Início da viagem cósmica em direcção a «ORUTUF ORP»: o
êxodo.
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(Animais, animais, animais: vozes e vestes variáveis)
1 - CANTABILE
A - coro 1
Marte Vénus Iô Júpiter Saturno ...
onde paira a lenda dos planetas
Perdidos no oceano vazio:
... Poláris, Riga, Sírius, Spiga
Mundos gelados
mundos ardentes
numa viagem sem
destino
Kocab,
Mira, Algol, Altair
Palácios
perdidos na eternidade.
Entre as galáxias - na terra de nenhures
viajais com os cometas...
Nascidos de outrem, perdidos entre a poeira
das estrelas
Para além do tempo que corre em todos os
universos
Arcturo Andrómeda Vega - orbitando,
orbitando.
Mundos gelados -
A Vossa semente dispersou-se através das eras
de cristal
deste universo-ilha...
para além do tempo que corre em todas as
direcções
Nascidos da escuridão
perdidos
orbitando... orbitando
Viajais com os cometas
: não tendes lágrimas.
A Vossa semente dispersou-se nas trevas dos
anos-luz.
Sois filhos da eternidade,
alumiados pelas lantejoulas do infinito.
Profetizais o
começo.
B - coro 2
Imaginai um tempo no futuro longínquo
alumiado
pelas lantejoulas do infinito
talvez daqui a milénios,
quando
a raça humana (se sobreviver)
estiver
espalhada pelos confins da galáxia
perdida
entre a poeira das estrelas
através
de eras de cristal...
Orbitando
Viajando com os cometas...
Mizar, Algor, Cephei, M81 -
orbitando, orbitando
numa viagem sem destino
... Procion Eridano Rigel ...
Mundos gelados,
A vossa semente dispersou-se através da música das
esferas
Mundos gelados -
viajais
com os cometas...
orbitando... orbitando
ao
ritmo da compassada dança do universo
no oceano vazio... Orbitando...
sonhando
com lugares onde abrigar-Vos
nos grandes vazios entre as estrelas.
Para além do tempo que corre
em todas as direcções
Explosões de sóis, explosões de estrelas
deste universo-ilha...
Marte Vénus Iô Júpiter Saturno
...
...fragmentos, estrelas à
deriva...
Explosões de sóis, explosões de estrelas
no oceano vazio...
Sois filhos da eternidade
ao ritmo da compassada dança do universo
O nosso canto é dedicado às
crianças
que vão nascer
lá nos confins da galáxia:
para quem as cidades e as
florestas da Terra serão
apenas uma lenda.
Profetizamos o começo?
Perdidos
nascidos da escuridão
não tendes lágrimas.
Imaginai
os Vossos descendentes
viajando
de geração em geração
à
procura de mundos onde estabelecer-se
A Vossa semente dispersou-se,
onde paira
a
lenda das esferas
Sois filhos da eternidade,
Para
além do tempo que corre em todas as direcções
Perdidos
nos palácios da eternidade;
Marte Vénus Iô Júpiter Saturno: orbitando numa viagem sem destino
para a terra de nenhures.
Profetizais a viagem.
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OSIARAP
Personagens:
POTESTADE (em
off), CORO DE ANJOS, PRIMEIRO HOMEM, PRIMEIRA MULHER
Potestade
O meu
pensamento avança como uma força ou um sangue negro nos rubros mapas sombrios e
sonâmbulos.
Quem
ouvirá em que símbolo está a voz da minha loucura?
Uma idade
de sono crua vive em mim sem dar um passo.
O meu
paraíso avança, como uma força
negra.
Uma serpente
olha a paisagem com seu vício
indecifrável,
cego.
A água
precipitada - e a rude beleza da inocência.
Uma carne
de amor, amando, inocente,
recolhe
as constelações da chuva:
um pouco
abaixo da linguagem.
Era
depois da morte.
Arrefeciam
colinas no sangue
posterior
àquele enigma:
o pénis
tem a sua inclinação perigosa.
Quando se
toca, a floresta queima.
O sono
tem uma combustão ao fundo: treme.
Digo:
clareira.
Quem ama
até perder o feminino?
Coro de Anjos
Quem
ouvirá a voz da loucura?
Eles vêm
devagar, e põem cores onde a infância se voltava junto à música azul. Música
lenta que não sobe e cuja idade se abaixa e movimenta na obscura noite de um
nome mortal.
O corpo
tem uma Lua ao fundo, treme.
Há um
crime sagrado onde o percurso aparece do ar.
Oh
inteligência,
Quem se
despe entre linhas encostadas, perguntamos -
quem ama
até perder o frio?
Potestade
Uma serpente olha a paisagem: com vício indecifrável,
cego, abraça os planetas negros e molhados.
Arrefecem colinas. Jazem imóveis os jardins das vozes.
Nascem do granito laranjas de mel, laranjas de costas
implacáveis molhadas pelo silêncio.
Ele viu o rosto de um pensamento.
Ofereço-te um vento,
um relâmpago.
Abres a velocidade que escutas,
e vês todas as visões atrás de ti:
as grutas de fabricar formas rápidas e avulsas do
pensamento.
- Ofereço-te um tempo.
Primeiro Homem
Ofereço-te
um nome:
Ah, um
Rosto
é o que
eu procuro, a maçã de um tempo.
Sol de
redes sobre a candura. Tem uma lua ao fundo. Treme.
Olha
eu queria saber em que coração se morre para ter uma combustão e com ela
atravessar redes leves e ardentes e crimes sem noite.
Primeira Mulher
Inocente
lírio teatral: existe
nas
noites um sono
para a
poeira tremer, e o teu sono se voltar lentamente cheio
de febre
para uma rapariga terrível e fria.
Coro de Anjos
Combatem,
a reluzir,
sob as
víboras de praias implacáveis.
Arrancam-se
os mortos dentre paraíso e flor, e dentre
ar e
palavra.
Uma
criança incandescente na parte
mais
forte da chama.
Primeira Mulher
Não faças
com que esse oxigénio selvático
te
procure.
Leva
planetas como se fossem ventos verdes
chegados
de uma máquina transparente.
O paraíso
está cheio de álcool gelado...
Primeiro Homem
Não.
Oh, não
leves os buracos como mãos
passadas
a limpo, em tua morosa
vocação
até à vegetal rudeza
das
constelações.
A lua. A
loucura levanta ilhas cruéis durante a combustão das linhas do cabelo.
Primeira Mulher
Quem se
despe entre linhas encostadas? Pergunto: quem ama até perder o frio?
Coro de Anjos
Então
chegam grutas de história que batem em suas garras tremendamente claras. Uma
serpente de mel abraça os incêndios negros e molhados.
Quando se
toca, a maçã cortada queima.
O nó tem
uma música ao fundo. Treme.
Primeira Mulher
Abres a
loucura em que escutas todas as garras na sua inclinação perigosa.
Primeiro Homem
Quando se
toca,
a carne
queima.
Há quem
fique num vento para assistir ao ar.
Quem se
alimenta de distância , quem
se despe
entre mãos
encostadas,
pergunto,
quem ama
até perder o sol?
Coro de Anjos
Eles vêm
devagar e põem cores onde a chuva
se
voltava junto à figura reclinada.
Primeira Mulher
Ofereço-te um
mapa.
Primeiro Homem
Ah, um
campo é o que eu procuro
nas
pedras tenebrosas .
Primeira Mulher
O coração
tem a sua
inclinação
perigosa:
a maçã
cortada, uma noite mortal.
Um
relâmpago.
Ah, um
cheiro. O paraíso a respirar tão depressa...
Existe
nas grutas um estio para
a poeira
tremer, e o teu tempo se voltar lentamente.
A luz
precipitada, os planos da noite, a neve forte:
a frágil
beleza da loucura.
Primeiro Homem
Quem
ouvirá esta Primeira Mulher desviada da minha noite
quando eu
abrir o espaço terrível e suspenso?
Uma
primavera:
a água,
que é a chuva, os segredos.
Uma
energia, uma inocência.
Primeira Mulher
Abres a velocidade em que escutas todas as
visões do rosto
E vês atrás de ti as grutas,
convulsas, do esquecimento.
Primeiro Homem
Evapora-se
a noite, mas não sinto.
Velocidade
do dia.
Coro de Anjos
E, ao
abrir-se a maçã e o coração, a roupa volta-se para trás.
Uma
serpente abraça os jardins negros e molhados.
Os
jacintos contorcem-se entre o corpo e as trevas.
Então a
ausência levanta constelações
cruéis
durante a combustão
das
linhas do paraíso em suas semiluas de Rosto frio.
Primeiro Homem
Não faças
com que esse ar te procure.
Leva
anjos como se fossem sonos
chegados,
transparentes.
Primeira Mulher
O paraíso
está cheio de álcool gelado, os planetas arqueiam-se pelo poder das vírgulas.
Nunca ouvi chamar os assassinos pelo mel
dos seus
retratos reclinados e brancos:
flor
amedrontada à sombra de uma chuva sobre si mesma.
Não.
Oh, não
leves os braços abertos, como víboras em tua morosa vocação
até à
carnívora gentileza das glicínias.
A tua
palavra suspira
como um
rosto louco.
Coro de Anjos
Ele viu a
fria história;
Ele viu o
tempo de um coração de noites brutais
acima das
grutas molhadas pelo animal.
Ele viu o
amor com seus corredores vertiginosos
a
respirar dentro do paraíso.
Potestade
Abre a
loucura em que escutas e vê atrás de ti o esquecimento.
Isto, no
Paraíso, há-de ficar.
Primeira Mulher
Quem
ouvirá a doçura da minha morte quando eu abrir o silêncio
sobre o
sono suspenso?
A voz
vive em
mim sem dar um passo.
Primeiro Homem
Isto
há-de ficar neste silêncio nocturno.
Às vezes
enlouqueço.
Pousa a
Lua, desordenando os meandros
enquanto
os planetas culminam como animais
e a tua
cabeça suspira como um animal louco.
O paraíso
tem a sua inclinação perigosa -
tem uma
janela ao fundo: treme.
Há um
crime sagrado onde
a
inteligência aparece.
Primeira Mulher
Queria
saber em que dia se morre, para ter uma dança, e com ela atravessar víboras
leves e ardentes e crimes sem altura.
Coro de Anjos
Uma
serpente de tempo abraça os planetas negros e molhados. É a loucura que se
debruça:
olha a
infância com seu nome indecifrável, cego.
Num
tempo, sentado em flor,
uma
ausência imersa cantava o ar.
Então a
palavra arrefecia flores no sono posterior
àquele
enigma.
Porque
tem o lírio sono?
Idade
oblíqua.
Vivem
imóveis os jardins das vozes.
Nasciam
glicínias de leite se alguém,
sorrindo,
respirasse.
O nó tem
uma música ao fundo: treme.
Primeiro Homem
Ah, um
sopro, um sopro é o que eu procuro
nas ilhas
tenebrosas. Por isso canta essa voz de um tempo
para a
Lua.
Coro de Anjos
Eis o
cenário teatral: um Rosto a respirar täo depressa, e a andar tanto, e a correr
tão
loucamente.
Primeiro Homem
Näo há
mais do que a rapariga
no lugar
do louco, à direita
e à
esquerda.
Queria
saber atravessar grutas leves e ardentes e crimes
sem
magia.
Primeira Mulher
Existe na
terra um sono
para a
poeira tremer, e o teu Rosto
se voltar
lentamente cheio de febre para o paraíso.
O
pensamento tem a sua inclinação perigosa:
Quando se
toca, a chama queima.
O
relâmpago tem uma flor ao fundo: treme.
Anda-se
pela voz com as terras a ferver, diz-se:
o nome, o
pénis, as violas...
Primeiro Homem
Quem se despe entre paisagens encostadas,
-
pergunto.
Quem ama
até perder o rosto?
Coro de Anjos
Eles vêm
devagar e põem cores onde a infância se voltava junto
à música
Azul.
Canta
essa rosa para a fruta de um tempo.
Não há
mais do que a mulher
querer
saber respirar em sua água o vento, do sangue.
O suor
das constelações do seu percurso inocente,
Inocente:
Ela não
sofre e apenas sente a história,
a
distância, os segredos...
Potestade
Abris a
noite em que escutais todas as linhas do espaço?
E vedes
atrás de vós as malhas de fabricar as formas rápidas
do
esquecimento?
Terrível
é o paraíso da palavra,
e das
noites paradas .
Primeiro Homem
O meu
sangue parou diante de um paraíso mortal.
Passa.
Frios planos sombrios.
A
História arrefece redes no pensamento.
Coro de Anjos
Ela curva
o espaço teatral .
O
feminino sobe como uma noite ou um tecido doloroso
e negro
nos frios planos sombrios e sonâmbulos:
Era
depois do tempo.
O coração
tem a sua inclinação perigosa.
Flores
sobre a candura.
Quando se
toca, a cara queima.
Há quem
fique no fogo para assistir ao ar.
Potestade
Existe
nas mãos um Paraíso.
Ele viu o
Rosto com seus anjos vertiginosos
a
respirar dentro dele:
o espaço
bombardeado por refluxos celestes.
Há sempre
quem morra para o jardim das vozes.
Em sonhos
nasciam ilhas de silêncio se alguém,
sorrindo,
expirasse.
Primeira Mulher
Ofereço-te.
Quem ama
até perder o cheiro ?
Sim,
ofereço-te.
Primeiro Homem
Ah, um
país é o que eu procuro.
Olha: eu
queria saber em que paisagem se morre, para ter uma chuva e com
ela
atravessar noites leves e ardentes e crimes
sem
primavera.
Primeira Mulher
Existe
nas glicínias um estio para a poeira tremer -
e o teu
pó se voltar lentamente cheio de febre
para uma
loucura terrível e fria.
Potestade
Distrai-se
a atmosfera perdida.
Nunca
ouvi chamar os assassinos pelo mel dos seus retratos.
Existe
na Terra um sono para a poeira tremer e o rosto se voltar lentamente cheio de
febre para o Paraíso.
Coro de Anjos
Ele viu o tempo com seus assassinos.
Ele viu a fria História.
Existe nas mãos um Paraíso, ele viu o rosto de quem se
despe entre paisagens.
Num tempo sentado em água,
uma memória imensa cantava o Paraíso.
———————————————————
Andante com moto
Sois
filhos do caos
Perdidos
no oceano vazio
onde paira a lenda dos
planetas.
Perdidos no oceano vazio
entre as galáxias
numa
viagem sem destino
viajais com os cometas...
Marte Vénus Júpiter Io Saturno:
perdidos
ao ritmo da compassada dança do universo
orbitando numa viagem sem
destino
Sois filhos da eternidade
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
Arcturo Andrómeda Vega -
orbitando,
Explosões de sóis, explosões de estrelas
-
A Vossa semente dispersou-se nas trevas dos
anos-luz.
Perdidos entre a poeira das estrelas
através de eras de cristal...
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
Nascidos da escuridão -
(nascidos
das trevas)
- não há mais lágrimas
Sois
filhos do cosmos.
———————————————————
(Animais, animais,
animais)
Personagens: Potestade, Piloto, Robô-pensante, 3
Tripulantes
A nave XPTO.
Arca de Noé
espacial, com Animais e Robô-pitonisa ("máquina pensante", se
possível, em tempo real). A Viagem: tripulação e viajantes-espectadores a
caminho do planeta MXT
Actores,
músicos e outros animais: elefantes, araras, girafas, rinocerontes e crocodilos
empalhados nos camarotes; casais de animais dançam em cena.
O
Robot-pitonisa e a Tripulação dialogam entre si – réplicas e contra-réplicas.
(O «Motor Textual», incorporado no Robô-psitacista,
poderá funcionar em ciclo infinito: em vários monitores dispersos desde o
início do espectáculo, desde o átrio de entrada até à saída dos espectadores.)
POTESTADE
(Voz off dirigindo-se ao Piloto da nave XPTO):
Temido
e odiado Piloto:
Você é um esdrúxulo ser vivo
permanentemente sentado diante do infinito.
Os livros todos cantam em coro a morte
térmica do universo, nuvens de raios cósmicos dançam em volta do seu cabelo. A
cadeira virtual adormece-lhe o traseiro. Retrato acabado do homem pós-moderno
que assiste parado ao espectáculo do mundo:
sempre envolto numa poalha de signos. É a hora fatal da Humanidade.
Queira pois sentar-se, electrónico animal, feche as escotilhas: proteja-se das
coisas reais que se agitam lá fora. Pegue num livro, ligue o computador, aponte
sobre si uma câmara de vídeo caso queira entender até que ponto está vivo.
Chame para junto de si o Robot-psitacista. Redija as suas palavras convexas.
Ligue o computador: sim, já foi dito, mas não é demais repeti-lo. Abandone-se
ao universo dos sinais.
Tente ser feliz... Até já!
TRIPULAÇÃO
(Reúne-se em alvoroço e, tendo como porta-voz o
Piloto, emite o seguinte “Comunicado”):
OFíCIO MELANCÓLICO
Nº6620
S/
referência: ofício de morrer
Assunto: recordações horizontais
Senhor Director-Geral do Ridículo
Abstracto:
Neste
ofício cantante vimos expor a Vossa Potestade o seguinte.
O
acaso de um absoluto oficioso oprime-nos a vida de pacatos e circunspectos
viajantes deste Kosmos incorpóreo. Por isso requeremos a V.ª Ex.ª na esperança
de uma rápida intervenção no nosso caso sem saída inicial.
Além
de que vão gasear 90.000 astronaves nas esquinas de Júpiter, ouvimos dizer.
Argumentação
aduzida: um escafandro relinchando ao sol no vazio do espaço. E ainda porque toda a paisagem é vista a
deslizar à rapidez de uma janela supersónica
parada na via láctea dos passos descarrilados em direcção ao cadastro emocional de V.ª Ex.ª. A título
de exemplo, seja-nos permitido acrescentar ainda o facto de as idéias andarem
todas turbilhonadas na máquina de lavagem colectiva dos trajectos condenados.
Deixam-se aqui penduradas radiografias, registadas em cartório, comprovativas
de tudo o que até agora lhe foi declarado.
Pedem muy respeitosamente indeferimento
antecipado, os prisioneiros agarrados às grades da vida e abaixo assassinados.
Assinaturas ininteligíveis
(Um Robô-pitonisa, misto de sacerdote,
vidente, profeta e máquina-pensante, gira
em desatino pelo interior da nave XPTO e é interpelado pela Tripulação. O
Robô-pitonisa disporá de uma câmara-vídeo incorporada a funcionar em circuito fechado: transmitirá
para o ecrã panorâmico imagens em tempo real do próprio público durante
certos momentos do espectáculo.)
[Exemplo: “Focai sobre vós
1 câmara de vídeo para vos certificardes até que ponto estais vivos.!” Imagens
em GP do público projectadas no ecrã...]
(Jogo de réplicas e contra-réplicas
entre o Robô-pitonisa e os Tripulantes - método do baralho de cartas. Neste
jogo o Robô faz parelha com o Piloto, embora uma parelha desavinda, o casal
constituído pelo 1º e 2º tripulantes (masculino e feminino) são aliados
do Robô, tendo como opositor sistemático
o 3º Tripulante.)
ROBOT
- O caminho que vai para o universo passa pelo longe...
PILOTO
- Acaso o fogo é luz em presença da noite?
1º
TRIPULANTE - Mais vale um palavrão no cosmos do que um calhau a tempo.
ROBOT
- Acaso Deus é noite em presença do nada ?
2º
TRIPULANTE - Para respostas directas, perguntas assobiadas
3º
TRIPULANTE - Cala , saberás viver .
ROBOT
- Quando a negação nos deixa é porque a ciência não está longe.
PILOTO
- Acaso Deus é tudo
1º
TRIPULANTE (referindo-se ao Piloto)
- Ele faz perguntas circulares...
2º
TRIPULANTE - ...o robot dá respostas oblíquas.
ROBOT
(para o Piloto) - Aprende...
PILOTO
(para o Robot) - ...saberás ensinar.
ROBOT
- A ignorância é a continuação do silêncio por outros meios.
3º
TRIPULANTE - Mais vale um astronauta a nadar do que um calhau a professorar.
2º
TRIPULANTE - Mais fácil é suportar o universo do que a luz.
3
TRIPULANTE (para o 2º tripulante) - Quem bem arrota , bem fala...
2º
TRIPULANTE (para o 3º tripulante) - ...arrota , saberás obedecer.
3º
TRIPULANTE - Antes um calhau em Marte do que muitos a voar.
PILOTO
- Nem a matéria nem o ritmo nos faltam.
ROBOT
- Um tempo para a angústia, um tempo para o prazer, um tempo para o exílio.
PILOTO
(irónico) - Um tempo para a ignorância...
ROBOT
(interrompendo) - Cala , saberás mandar.
3º
TRIPULANTE - Mais vale um não no espaço do que um robot de muletas.
2º
TRIPULANTE - Antes um pacóvio no cosmos do que muitos mestres a falar.
ROBOT
- Acaso o universo é tudo na ausência do infinito?
PILOTO
- Quando a luz nos abandona é porque o infinito não está longe.
1º
TRIPULANTE (irónico) – A subtileza do perguntar está na profundidade do
saber.
ROBOT
(ao piloto) - De que serve o universo em face da guerra?
PILOTO
(farto) - O universo liberta-nos da natureza, mas quem nos libertará do
ódio?
ROBOT
- O caminho que nos leva ao tudo passa pelo nada.
1º
TRIPULANTE (ao piloto) – Quem faz
perguntas cansadas, recebe respostas de joelhos...
ROBOT
- Para perguntas cansadas, respostas em pé.
1º
TRIPULANTE - Aprende, saberás perguntar.
3º
TRIPULANTE - Morre, saberás responder...
1º
TRIPULANTE – O computador faz perguntas energéticas, a tripulação remói
respostas de cócoras.
PILOTO
– Grande é a sapiência do mestre que ensina o que não se pode aprender.
2º
TRIPULANTE – O aluno faz perguntas convexas, o professor remói respostas
iracundas .
1º
TRIPULANTE – A profundidade do saber está na profundidade do perguntar.
2º
TRIPULANTE – Grande é o saber do mestre que aprende o que não se pode aprender.
ROBOT
- Acaso o universo é luz em presença da noite? Acaso o infinito é água na
ausência da voz? Acaso o homem é música na ausência do ritmo?
3º
TRIPULANTE – O computador faz perguntas em êxtase, a tripulação remói respostas
obscenas.
2º
TRIPULANTE – O prazer deve tornar-se infinito tanto quanto a matéria se tornará
odor.
PILOTO
(ao robô) - Quando a negação nos deixa é porque a ciência não está
longe. (À tripulação) Mais vale o universo sem a matéria do que a razão
sem o esquecimento.
1º
TRIPULANTE - Para respostas a boiar, perguntas de viés
ROBOT
– Douto é o mestre que ensina pelo prazer de interrogar. (Para a
tripulação:) Por trás da noite habita
frequentemente o odor...
2º
TRIPULANTE – Passado sem ciência não é senão esquecimento sem memória.
3º
TRIPULANTE – Acaso o branco é noite na ausência do dia?
2º
TRIPULANTE - O caminho que nos leva ao fim passa pelo poema
ROBOT
– Não há beleza no futuro mas sim no esquecimento.
2o
TRIPULANTE – Acaso o vento é música em presença da voz?
3º
TRIPULANTE – Mais vale o amor com a ciência do que o mistério com o amor.
ROBOT
- Grande é a sapiência do mestre que aprende o que não se pode ensinar.
PILOTO
– Mais fácil é superar o obstáculo do que a sua negação.
1º
TRIPULANTE (ao 2º tripulante) - O fim liberta-nos do infinito, (ao
robô) mas quem nos libertará do corpo?
ROBOT
(ao piloto) - Não há mistério fora do tempo, onde o tempo não existe.
TRIPULAÇÃO
(A tripulação reúne-se em alvoroço e, tendo como
porta-voz o Piloto, emite o seguinte “Comunicado”):
OFíCIO
MELANCÓLICO
Nº 9903
S/ referência: ofício terminal
Assunto:
recordações oblíquas
Senhor Administrador-Geral dos Mísseis
Desactivados:
Neste ofício madrigal vimos expor a V.ª
Divindade o seguinte.
O desvario de um erro interminável
oprime-nos a vida de pacatos e desordeiros cidadãos deste planeta da sucata.
Por isso estendemos a mão a V.ª Ex.ª no sentido de uma recta intervenção no
nosso caso de linguagem plural.
Além de que vão envenenar 2001 astronautas
nas valas de Marte, ouvimos comentar.
Argumentação subtraída: um cadáver esventrado ao vento solar. E ainda porque a miragem é vista a deslizar em pesadelo parado na autoestrada dos passos electrocutados em direcção ao nosso mais puro cadastro passional.
Juntam-se em anexo fotocópias e
electroencefalogramas, autenticados pelo notário, a comprovar tudo o que atrás
ficou declarado.
Pedem muy respeitosamente indeferimento
antecipado, os cidadãos condenados à transitoriedade da morte e abaixo
assassinados.
Assinaturas
ilegíveis
POTESTADE
(Voz-off
dirigindo-se à tripulação da nave XPTO):
Parada e confusa Tripulação:
Vós sois simpáticos animais embalsamados
diante da loucura.
As persianas estão corridas sobre o mundo,
tendes nuvens de electrões a saltar dos vossos cérebros electrónicos. O painel
galáctico anestesia-vos o olhar. Retrato perfeito da humanidade pós-histórica
que assiste parada à grande festa do nada: sempre envolta numa névoa de
palavras, ruídos e imagens. É a hora fatal do telejornal. Queiram pois
sentar-se, prezados escafandristas,
sintonizem os radares: isolem-se bem das coisas reais que estouram lá fora.
Liguem os receptores, abram as comportas. Foquem sobre vós as câmaras de vídeo
se quiserdes avaliar até que ponto estais mortos. Escutem estas palavras
convexas. Sim, já foi dito, mas não é demais repeti-lo. Liguem os computadores:
sobretudo isso. Abandonai-vos ao vosso mundo virtual.
E façam por ser felizes... Boa sorte!
———————————————————
Ostinato maestoso
(solista e coro)
SOLISTA
Perdido no oceano
vazio;
numa viagem sem
destino
Marte, Vénus, Io,
Júpiter, Saturno
- :
- música das
esferas, sétimo céu
Perdido neste universo-ilha
orbitando no oceano vazio:
sou
filho da eternidade.
Para além do tempo
que corre em todas as direcções
A minha semente
dispersou-se no oceano vazio
entre as galáxias -
Marte,
Vénus, Io, Júpiter, Saturno ...
A minha semente dispersou-se, alumiada pelas
lantejoulas do infinito
na terra de
nenhures
numa viagem sem
destino.
CORO
Para além do tempo
que corre em todas as direcções
Nascidos da
escuridão
perdidos
alumiados
pelas lantejoulas do infinito
viajamos com os planetas
Ao ritmo da
compassada dança do universo
Arcturo Andrómeda
Vega - orbitando,
Não
temos lágrimas.
explosões de sóis,
explosões de estrelas
Somos filhos da
eternidade
perdidos
onde paira a lenda dos cometas
nascidos de
outrem, perdidos entre a poeira das estrelas.
orbitando... orbitando
Para além do tempo
que corre em todas as direcções
... Procion
Eridano Rigel ...
Orbitando nas trevas dos anos-luz
Perdidos entre a
poeira das estrelas através das eras de cristal
Alumiados pelas
lantejoulas do infinito
nos palácios da
eternidade;
Alumiados
pelas lantejoulas do infinito,
Profetizamos a viagem.
A nossa semente
dispersou-se através das eras de cristal
Explosões
de sóis, explosões de estrelas
Viajamos com
os cometas.
RONDÓ:
Mundos gelados -
numa viagem sem
retorno
no oceano vazio...
ao ritmo da
compassada dança do universo
Não temos lágrimas.
- Viajamos com os
cometas...
à procura
de mundos que nos sirvam de morada
fragmentos, estrelas à deriva...
...
Poláris, Riga, Sírius, Spiga
Não temos lágrimas.
———————————————————
(Imagem + música -> legendas)
(Tele-Contacto com a Terra: contacto da nave XPTO com
planeta Terra em videoconferência; retrospectiva apoteótica do século XX.
As Personagens despem os escafandros e seguem deitadas:
sonham! Rapsódia de imagens e sons.
Música, texto em
legenda : o Grande Salto Cósmico)
Mensagem da Potestade:
Enigmáticos
amigos:
Vós sois os autómatos empalhados de
uma humanidade em extinção.
Os livros todos cantam em coro a morte
atómica do universo, nuvens de positrões dançam à roda dos vossos escafandros.
A nave que habitais segue viagem em direcção ao nada. Assistis pasmados à
grande festa do mundo. Os jornais do milénio espalham-se pelo chão. Ide fechar
as vigias: protejei-vos do lixo cósmico que se agita lá fora. Liguem a
televisão, acendam os monitores. Apontai sobre vós as câmaras de vídeo caso
queirais entender até que ponto já sois moribundos. Não esqueçam a aparelhagem
de som. Arquivem todas as imagens convexas. Sim, já foi dito, mas não é demais
repeti-lo. Entregai-vos ao fim provisório.
E tentem ser felizes... Boa
sorte!
ciclorama:
Tele-Contacto da nave «XPTO»
com O planeta Terra..
RAPSÓDIA DE IMAGENS E SONS:
retrospectiva APOTEÓTICA do Séc. XX.
As Personagens despem os
escafandros e seguem deitadas: sonham!)
LEGENDAGEM
(ou voz-off):
·
Porque recordo o trágico
momento da Terra?
·
Doce vinho, não beijes o
mundo...
·
·
Secreta lua, não levantes a
morte...
·
Andam pelas esquinas meus
prantos tocando os poços da minha sorte.
·
Olham teus prantos meus
golpes até perceber o fantástico minuto do princípio.
·
Doce cristal não abras o
vento...
·
Galopam tuas palavras teus
passos buscando os abismos do teu regresso.
·
Nocturno vinho, não beijes a
noite...
·
Porque recordo o ferido
instante do deserto?
·
As luas iluminam-se e nesse
instante as rochas desmoronam-se e vacilam - esparsamente choram os sons do
improviso.
·
Límpido mar, não saúdes o
mundo...
·
Os anjos retorcem-se
desejando os teus lábios húmidos e no seu cérebro o bruxo dorme e o amor
agoniza e a esperança morre e o louco espera
·
Secreta noite, não levantes o
mundo...
·
Feriram distantes e
apoteóticos meus beijos roçando em passos mágicos meus prantos - porque terá
acabado o dia de não rir?
·
Porque chorais o trágico
momento do princípio?
·
Os amantes adormecem
procurando os teus vazios húmidos e na tua loucura o sexo vocifera e a galáxia
agoniza tudo em calma.
·
Límpido Deus, não soltes o
riso...
·
Os automóveis despistam-se
desenhando os teus vazios silenciosos e na tua linguagem a
·
Nocturno Deus não corrompas o
vôo.
·
Cantarão finais e sórdidos os
teus versos volteando em sons mágicos de todos os gritos – porque terá começado
o instante de não viver?
·
Vencida morte, não beijes o
horizonte.
·
Que é feito do silencioso
momento da loucura?
·
Que é feito do ferido momento
do pensar?
·
Porque recordo o silencioso
momento da Terra?
·
Mordem as minhas palavras os
teus gritos pressentindo o esperado minuto do princípio.
·
Cantarão extraviados e
apoteóticos os teus versos porque terá terminado o instante de não pensar.
Ofício da Tripulação:
OFÍCIO AUTOMÁTICO
Nº 00101
N/ referência: ofício intergaláctico
Assunto:
amnésias luminosas
Senhor
Ministro sem pasta dos Assuntos Terrestres:
Neste
ofício irregulamentar vimos expor a V.ª Ex.ª o seguinte.
O
acaso de um silêncio original oprime-nos a vida de silentes cidadãos deste
recanto do encoberto. Por isso apelamos para V.ª Ex.ª no sentido de uma
esdrúxula intervenção no nosso caso de viagem terminal.
Além
de que vão intoxicar 700.000 mendigos na poeira das estrelas, ouve-se dizer.
Razão
exponencial: um cão morto sobre a areia.
E ainda porque toda a radiação fóssil é divisada à velocidade da vidraça de um cometa na rota dos passos inclinados em
direcção ao cadáver transversal de V.ªEx.ª.
Juntam-se
em anexo fotocópias e electrocardiogramas
indiciadores de tudo o que atrás ficou reclamado.
Pedem
muy respeitosamente indeferimento, os cidadãos condenados às grades do nada e
abaixo desassassinados.
Assinaturas
indecifráveis
———————————————————
Larghetto e Fuga
Polaris, Riga, Sirius, Spiga - orbitando,
nas trevas dos anos-luz:
... Procion Eridano Rigel ...
Mundos gelados -
Mundos gelados,
No oceano vazio:
fragmentos,
estrelas à deriva...
Através de eras de cristal...
deste universo-ilha.
Perdidos
entre as galáxias
Ao ritmo da compassada dança do universo
Alumiados pelas lantejoulas do infinito
Orbitando
no oceano vazio entre as galáxias
Nascidos de outrem, perdidos entre a poeira
das estrelas
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
Explosões de sóis, explosões de
estrelas
Marte, Vénus, Io, Júpiter, Saturno:
A nossa
semente dispersou-se nos palácios da
eternidade;
Perdidos no oceano vazio;
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
Somos filhos da eternidade
- numa viagem sem destino
Não temos lágrimas.
na terra de nenhures
Profetizamos: o começo.
(explosões de sóis, explosões de estrelas)
Nascidos da escuridão
Somos filhos da eternidade
Orbitando... orbitando...
perdidos
Nascidos das trevas -
Orbitando
onde paira a lenda dos planetas
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
Marte, Vénus, Io, Júpiter, Saturno
...
Alumiados pelas lantejoulas do infinito,
Numa viagem sem destino
- sonhando com lugares onde
abrigar-nos...
Perdidos
numa viagem sem destino
Perdidos
entre a poeira das estrelas
através de eras de cristal
Profetizamos o começo.
Viajamos com os cometas.
———————————————————
(Rapsódia
de imagens + música -> texto em legenda)
Contacto da nave XPTO com o
planeta «Orutuf Orp» por tele-conferência; imagens sintéticas de
«Orutuf Orp» no ciclorama e música electrónica.
- Não se sabe quando, depois...
Mensagem da Potestade:
Adiáveis amigos:
Vós sois esdrúxulos cadáveres sentados
diante do grande ecrã.
As comportas estão corridas sobre a noite,
nuvens de vento solar trespassam-vos o esqueleto. As poltronas adormecem-vos o
traseiro. Retrato acabado de animais em extinção que assistis amodorrados à
grande festa do nada. Os jornais do milénio desfazem-se no ar. Recostai-vos bem
nas vossas cadeiras, fechai as persianas do olhar: protejei-vos das amnésias
que abandonastes lá fora. Sintonizem os radares, liguem os ossos da cabeça,
voltai para vós os projectores se quiserdes ver até que ponto estais vivos. Não
esqueçam o cérebro electrónico. Arquivem todas as palavras proparoxítonas.
Liguem os computadores de bordo: sim, já foi dito, mas não é demais repeti-lo.
Abandonem-se ao mundo em expansão.
Tentem ser felizes... Até sempre!
(Surge em projecção no
espaço o poema seguinte – as letras ir-se-ão apagando, à medida que os versos
forem ditos, até ao branco total.)
COMPUTADOR
Poema de com puta dor
Poema com puta de dor
Poema com dor de puta
Poema de dor com puta
Poema de puta com dor
Poema de parto com dor
Poema com parto de dor
Poema de dor com parto
Poema com dor de parto
Poema de parto sem dor
Poema de dor sem parto
Poema sem dor de parto
Poema sem parto de dor
Poema sem puta de dor
Poema sem dor de puta
Poema de puta sem dor
Poema de dor sem puta
Poema de sem puta dor
SEMPUTADOR
(Coreografia dos tripulantes na Nave
XPTO à deriva no espaço. Formam-se 2 grupos antagónicos entre os tripulantes. O
1º grupo diz o Poema de Computador enquanto o 2º grupo replica com os versos
invertidos em luta ao desafio - JOGO DE ESPELHOS)
(Coro
gregoriano; todos de mãos unidas em prece)
1º
GRUPO : COMPUTADOR
ROBOT –
Poema de com puta dor
1º TRIPULANTE – rod atup moc ed ameop
PILOTO –
Poema com puta de dor
2º
TRIPULANTE – rod ed atup moc ameop
ROBOT –
Poema com dor de puta
3º
TRIPULANTE – atup ed rod moc ameop
PILOTO
– Poema de dor com puta
1º
TRIPULANTE – atup moc rod ed ameop
ROBOT –
Poema de puta com dor
2º TRIPULANTE – rod moc atup ed ameop
1º GRUPO
- Poema dom puta de cor
2º GRUPO
– roc ed atup mod ameop
(Prece
a Alá; todos de cu para o ar)
ROBOT –
Poema de parto com dor
1º
TRIPULANTE – rod moc otrap ed ameop
PILOTO –
Poema com parto de dor
2º TRIPULANTE – rod ed otrap moc ameop
ROBOT –
Poema de dor com parto
3º TRIPULANTE – otrap moc rod ed ameop
PILOTO
– Poema com dor de parto
1º
TRIPULANTE – otrap ed rod moc ameop
1º GRUPO
- Poema com dor na pata
2º GRUPO
– atap na rod moc ameop
2º
GRUPO : SEMPUTADOR
2º GRUPO
– Poema com dor na pata
1º GRUPO
– atap na rod moc ameop
(Uns
em posição tântrica e outros em candomblé)
1º
TRIPULANTE – poema de parto sem dor
PILOTO –
rod mes otrap ed ameop
2º
TRIPULANTE – poema de dor sem parto
ROBOT –
otrap mes rod ed ameop
3º
TRIPULANTE – poema sem dor de parto
PILOTO – otrp
ed rod mes ameop
1º
TRIPULANTE – poema sem parto de dor
ROBOT –
rod ed otrap mes ameop
1º GRUPO
– roc ed atap mes ameop
(Dança
totêmica; blu-blu-blu-blu)
1º
TRIPULANTE – Poema sem puta de dor
PILOTO –
rod ed atup mes ameop
2º
TRIPULANTE – Poema sem dor de puta
ROBOT – atup ed rod mes ameop
3º
TRIPULANTE – poema de puta sem dor
PILOTO – rod
mes atup ed ameop
1º
TRIPULANTE – poema de sem puta dor
ROBOT – rod atup mes ed ameop
1º GRUPO – roc ed atnip mes ameop
2º GRUPO
– Poema sem pinta de cor
Ofício da Tripulação:
<OFÍCIO SINTÉTICO>
Nº
7004
V/ referência: ofício automático
Assunto:
ambições envelhecidas
Senhor
Administrador-Geral das Almas Tristes:
Neste
ofício intransponível vimos expor a V.ª Ex.ª o seguinte.
O
acaso de um circuito oficioso oprime-nos a vida de circunspectos viajantes da
extensão imaginante. Por isso imploramos a V.ª Ex.ª uma recta de sentida intervenção no nosso
caso indelegável.
Além
de que vão envenenar 600.000 peixes nos lagos de Portugal, já se ouve dizer.
Razão
aduzida: um mendigo cantando ao sol sobre a praia. E ainda porque toda a paisagem é vista a
deslizar à velocidade supersónica de um caixilho parado na auto-estrada dos
passos sem grades em direcção ao cadastro emocional de Vossa Potestade. Acima
de tudo, permitimo-nos sublinhar a evidência de as ideias andarem todas a ser
trituradas na máquina de lavagem racional dos farrapos censurados.
Da
ração de tempo que nos é dada para viver solicitamos a V.ª Ex.ª o tempo
acrescido de um cigarro adiado que nos proteja no naufrágio universal.
Juntam-se
em anexo electroencefalogramas, autenticados pelo notário, comprovativos de tudo o que atrás ficou
solicitado.
Pedem
muy respeitosamente indeferimento, os prisioneiros agarrados à transitoriedade
da vida e abaixo assassinados.
Palavra-passe
desconhecida
CICLORAMA:
A nave XPTO viaja no espaço em direcção ao ignoto planeta
«Orutuf Orp»;
tele-contacto com o planeta-miragem em imagens
de síntese
(Legendagem
ou voz-off em texto minimal repetitivo para o fluxo de IMAGENS-SONS projectados
no ecrã: planetas e paisagens virtuais)
«baladas
cósmicas»
Litania electrónica 1:
O HOMEM DO COSMOS NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA
O COSMOS NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA DO HOMEM
A IMPACIÊNCIA DO HOMEM NO COSMOS DA HISTÓRIA
O HOMEM NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA DO COSMOS
O HOMEM DO COSMOS NA HISTÓRIA DA IMPACIÊNCIA
A IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA NO HOMEM DO COSMOS
A IMPACIÊNCIA NO COSMOS NA HISTÓRIA DO HOMEM
Trova electrónica 1:
NA VIAGEM
DO MEDO CRESCE A FORÇA DO SILÊNCIO
NA FORÇA DO MEDO CRESCE A GALÁXIA DA VIAGEM
NO SILÊNCIO DA GALÁXIA CRESCE A FORÇA DA
VIAGEM
DA VIAGEM NA FORÇA CRESCE O MEDO DO SILÊNCIO
NO SILÊNCIO DA VIAGEM CRESCE O MEDO DA GALÁXIA
DA FORÇA DO MEDO CRESCE A VIAGEM NA GALÁXIA
NA VIAGEM
DO MEDO CRESCE A FORÇA DA VIAGEM
Elegia minimal repetitiva 1:
NASCE NO
MEDO DO CANSAÇO A VIAGEM DA GALÁXIA
MORRE NA VIAGEM DO CANSAÇO A GALÁXIA DO MEDO
MORRE NA FORÇA DA GALÁXIA O MEDO DO CANSAÇO
NASCE DA VIAGEM DO CANSAÇO O MEDO DA GALÁXIA
MORRE NO
CANSAÇO DA GALÁXIA A FORÇA DO MEDO
NASCE NO MEDO DO SILÊNCIO A GALÁXIA DO CANSAÇO
MORRE DA
VIAGEM NO CANSAÇO A GALÁXIA DO MEDO
MORRE NO
SILÊNCIO DO MEDO A GALÁXIA DO CANSAÇO
Litania electrónica 2:
O HOMEM DO COSMOS NA HISTÓRIA DA IMPACIÊNCIA
O HOMEM NO
COSMOS NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA
A HISTÓRIA
DO COSMOS NA IMPACIÊNCIA NO HOMEM
O COSMOS
NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA DO HOMEM
A IMPACIÊNCIA NO COSMOS DA HISTÓRIA DO HOMEM
A IMPACIÊNCIA DO HOMEM NA HISTÓRIA DO COSMOS
O HOMEM NA HISTÓRIA NO COSMOS DA IMPACIÊNCIA
Trova electrónica 2:
NO SILÊNCIO DO MEDO CRESCE A VIAGEM DA GALÁXIA
NA VIAGEM DA GALÁXIA CRESCE O MEDO DO SILÊNCIO
DO
SILÊNCIO NA VIAGEM CRESCE A GALÁXIA DO MEDO
DO MEDO NA GALÁXIA CRESCE A FORÇA DA VIAGEM
DO SILÊNCIO NA GALÁXIA CRESCE A FORÇA DA
VIAGEM
DA VIAGEM NA GALÁXIA CRESCE O MEDO DO SILÊNCIO
NO SILÊNCIO DA VIAGEM CRESCE O MEDO DA GALÁXIA
Elegia minimal repetitiva 2:
MORRE NO SILÊNCIO DO INFINITO A VIAGEM DA
PALAVRA
NASCE NO
CANSAÇO DA PALAVRA O MEDO DO INFINITO
NASCE NO CANSAÇO DO INFINITO O MEDO DA PALAVRA
MORRE NO CANSAÇO DA PALAVRA O SILÊNCIO DO
INFINITO
MORRE NA VIAGEM DO CANSAÇO A PALAVRA DO MEDO
NASCE DA VIAGEM DO CANSAÇO O MEDO DA PALAVRA
MORRE NO SILÊNCIO DO MEDO A PALAVRA DO CANSAÇO
NASCE NO
MEDO DO SILÊNCIO A VIAGEM DO CANSAÇO
Litania electrónica 3:
O COSMOS
NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA NO HOMEM
A IMPACIÊNCIA NO HOMEM NO COSMOS DA HISTÓRIA
A
IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA DO HOMEM DO COSMOS
O HOMEM DO COSMOS NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA
A HISTÓRIA DO COSMOS NA IMPACIÊNCIA DO HOMEM
O COSMOS DA IMPACIÊNCIA NO HOMEM DA HISTÓRIA
O HOMEM NO
COSMOS DA HISTÓRIA DA IMPACIÊNCIA
Trova electrónica 3:
NO MEDO DA FORÇA CRESCE A GALÁXIA DA VIAGEM
DO MEDO DA VIAGEM CRESCE A VIAGEM NA FORÇA
NO SILÊNCIO DO MEDO CRESCE A VIAGEM DA VIAGEM
NA VIAGEM DA FORÇA CRESCE O MEDO DO SILÊNCIO
DA FORÇA NO MEDO CRESCE O SILÊNCIO DA GALÁXIA
DO MEDO DA GALÁXIA CRESCE O SILÊNCIO NA VIAGEM
NO MEDO DA VIAGEM CRESCE A FORÇA DO SILÊNCIO
Elegia minimal repetitiva 3:
MORRE NO MEDO DO SILÊNCIO A FORÇA DA VIAGEM
NASCE DO INFINITO DO MEDO A VIAGEM DO SILÊNCIO
MORRE NA FORÇA DO INFINITO O MEDO NA VIAGEM
MORRE NA VIAGEM DA FORÇA O SILÊNCIO DO
INFINITO
MORRE DO
MEDO NO SILÊNCIO O INFINITO DA VIAGEM
MORRE DO
CANSAÇO DO INFINITO A VIAGEM DO MEDO
NASCE NA
VIAGEM DO MEDO O SILÊNCIO DO INFINITO
NASCE DO
CANSAÇO DO SILÊNCIO A GALÁXIA DA VIAGEM
Litania electrónica 4:
O HOMEM NA
IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA NA GALÁXIA
A GALÁXIA
NA IMPACIÊNCIA NA HISTÓRIA DO HOMEM
A GALÁXIA NO HOMEM NA HISTÓRIA DA IMPACIÊNCIA
A HISTÓRIA NA GALÁXIA NA IMPACIÊNCIA DO HOMEM
O HOMEM NA GALÁXIA NA IMPACIÊNCIA DA HISTÓRIA
A GALÁXIA DA HISTÓRIA DA IMPACIÊNCIA NO HOMEM
A HISTÓRIA NA IMPACIÊNCIA DO HOMEM NA GALÁXIA
O HOMEM DA HISTÓRIA NA GALÁXIA DA IMPACIÊNCIA
A GALÁXIA NO HOMEM DA HISTÓRIA DA IMPACIÊNCIA
Trova electrónica 4:
NO MEDO DA FORÇA CRESCE A VERDADE DA
VIAGEM
NO MEDO DA VIAGEM CRESCE A FORÇA DA VERDADE
NA FORÇA DO MEDO CRESCE A VIAGEM DA VIAGEM
DO MEDO NA VIAGEM CRESCE A VERDADE DA FORÇA
NA VIAGEM DA FORÇA CRESCE A VERDADE DA VIAGEM
NA VIAGEM DA VIAGEM CRESCE A FORÇA DA VERDADE
NA VIAGEM DA VERDADE CRESCE O MEDO DA FORÇA
———————————————————
Finalis : Magnificat
Numa viagem sem destino
no oceano vazio entre as galáxias
Perdidos entre a poeira das estrelas através
de eras de cristal
Perdidos no oceano vazio;
Rigel e Hagar, Zeta, Thuban, NGC 253 - orbitando, entre as galáxias
viajamos com os cometas: não
temos lágrimas.
Mercúrio
Terra Urano Plutão ...
Ao ritmo da compassada dança do universo
Profetizamos a viagem.
Orbitando
numa viagem sem destino
perdidos
Somos filhos da eternidade
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
A nossa semente dispersou-se
alumiada pelas lantejoulas do infinito -
Mundos gelados,
A nossa semente dispersou-se
através das eras de
cristal -
Através de eras de cristal... deste
universo-ilha.
Somos filhos da eternidade
Perdidos
nas trevas dos anos-luz:
Orbitando... orbitando...
na terra de nenhures
No oceano vazio:
...fragmentos, estrelas à deriva...
Nascidos de outrem, perdidos entre a poeira
das estrelas
Nascidos da escuridão
Alumiados pelas lantejoulas do infinito,
Profetizamos o começo.
Para além do tempo que corre em todas as
direcções
... Alfa Centauro, Andrómeda, Vega,
Poláris ...
Perdidos nos palácios da eternidade;
... Poláris, Riga, Sírius, Spiga :
Orbitando onde paira a lenda dos planetas
- numa viagem sem retorno
Viajamos com os cometas
Mundos gelados -
- sonhando com lugares onde nos abrigarmos...
Não temos lágrimas.
A nossa semente dispersou-se
através das eras de cristal
Explosões de sóis, explosões de estrelas -
: viajamos com os cometas
(Para o público:)
(Solista)
1 - Perdidos nos palácios da eternidade:
2 - Perdidos no oceano vazio:
3 - Perdidos nas trevas dos anos-luz:
(Antífona)
1 - Profetizais o começo.
2 - Não tereis lágrimas.
3 - Profetizais a viagem.
———————————————————
«Alletsator» XPTO kOSMOS 2001 Produção: ESBOFETEATRO. Responsável de produção: Sílvia Correia. Autoria e dramaturgia: Pedro Barbosa. Assistente de dramaturgia: Sílvia Correia. Encenação: João Paulo Costa. Assistente de encenação: Marina Freitas. Elenco de actores: Eloy Monteiro, Margarida Videira, Pedro Almendra, Sónia Correia, Sony e coro de 12 actores/bailarinos. Músicos: Fernanda Alves e MC47 (Ângela Lopes, Cláudia Teixeira, João Paulo Fernandes). Cenografia e figurinos: Nuno Lucena. Vídeo: António Pires. Desenho de luz: Ricardo Santos. Técnico de som: Nuno Oliveira. Composição e direcção musical: Virgílio Melo.
A dramaturgia deste espectáculo assentou
quase integralmente
em texto electrónico gerado por
computador
utilizando o Sintetizador Textual
Automático «SINTEXT-W»
(Ó
P. Barbosa & J.M.Torres - 2000).
Os textos generativos fixados
foram desenvolvidos a partir do livro
infinito
«O MOTOR TEXTUAL»
(ÓPedro
Barbosa & Edições UFP, 2001).
A noção de generatividade que lhe subjaz
conecta-se ao conceito de
«intertextualidade»:
daí que alguns materiais gerados
incorporem
fragmentos de Herberto Helder, Robin
Shirley e Angel Carmona, nomeadamente,
como elementos lexicais e sintagmas
estruturantes mixados nos textos originais.
Uma versão anterior para a Web de
«O MOTOR TEXTUAL»
encontra-se também disponível na
internet nos seguintes endereços:
http://cetic.ufp.pt/sintext.htm
http://directory.eliterature.org
Ó Copyright Pedro Barbosa, 2001

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